Olá queridos, como estão? Esse último mês foi meio corrido e complicadinho para mim pois de uma ida ao pronto-socorro por conta de uma gripe descobri que tinha um nódulo na tireoide, que resultou ser do tipo maligno.

Resolvi contar aqui para vocês o meu relato pois não tinha muito conhecimento sobre o câncer de tireoide e, quando ouvi o resultado da boca do médico, muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas o principal foi o medo do que para mim era desconhecido.

Como mencionei antes, fui no pronto socorro de um hospital em SP por conta de uma forte gripe e no atendimento, o médico ao me examinar de cara viu um nódulo estranho (que eu nunca havia reparado) e me pediu para consultar um médico endócrino para ver se tinha problemas de tireoide. Minha mãe já havia feito uma cirurgia de retirada da tireoide de alguns nódulos benignos que ela tinha, então já fui no consultório de cabeça e pescoço onde ela havia feito. O médico pediu alguns exames gerais e o ultra-som com punção na tireoide. Os fiz (achei que a punção ia ser um pouco dolorida mas no meu caso não senti quase nada, só uma picada mesmo) e o resultado saiu 3 dias depois. Fiquei assustada quando o médico me ligou pedindo para fazer um retorno com urgência pois havia saído o meu resultado, já me marcando para o dia seguinte. Cheguei em casa no dia e corri para ver o resultado do meu exame que deu: Carcinoma Papilífero, um dos tipos de câncer de tireoide. Corri para pesquisar na internet e descobri que esse tipo de carcinoma é o mais comum de se ter e o menos agressivo – cerca de 80% do casos são desse tipo -, além de ter uma evolução lenta. Esse tipo de câncer costuma atingir mais as mulheres do que homens, e, na maioria dos casos não tem sintomas sendo descoberto em exames de rotina (ou como no meu caso), não havendo um modo de prevenção.

Fui no médico que confirmou o que eu havia lido, um tumor maligno com cerca de 4 cm no lado direito que tinha que ser retirado, além de provavelmente ter que retirar a tireoide toda para que o mesmo não se espalhasse. Ouvi dele e de muitas pessoas que “se fosse para ter um câncer (não que alguém queira), esse era o melhor tipo para se ter”, com porcentagem quase máxima de sucesso na operação e no tratamento. Apesar de todas essas informações positivas confesso que a ficha demorou para cair durante alguns dias, não consegui digerir muito bem, sabe? Não quis contar para quase ninguém nem falar muito no assunto mas aos poucos fui melhorando. Fiz todos os exames pré-operatórios, consegui um outro médico para a confirmação e operação (acho que foi aí que realmente me senti melhor) pelo meu convênio e estava tudo marcado. Antes de ir nesse novo médico, o Dr. Renato Gotoda, pesquisei sobre ele na internet, recebi indicações e na consulta me passou confiança, razão pela qual quis fazer com ele.

Tudo certo para a cirurgia de tireoidectomia, operei no dia 8 de novembro pela manhã. Estava receosa pois nunca havia feito uma operação na vida mas correu tudo bem tranquilamente. Tomei anestesia geral e só lembro de chegar no centro cirúrgico e sair com o doutor me contando que havia corrido tudo bem e que havia sido retirada toda a minha tireoide. Senti ardência no corte no período de observação mas quando fui para o quarto já estava bem tranquila, só com rouquidão – uma das coisas que pode vir acontecer na operação devido a lesões de estruturas como os nervos laríngeos e as glândulas paratireoides. Sai já no dia seguinte, tendo que ficar em repouso – sem dirigir, pegar e fazer peso – durante 15 dias.

No momento ainda estou em casa de repouso, e cada vez mais sinto minha voz melhorar e quase não tenho mais dor nem incomodo. Fui ontem no médico que tirou meu curativo e contou sobre a cirurgia. Além desse tumor maior, foi achado mais nódulos menores também malignos, alguns com metástase mas todos foram retirados e raspados. Vou precisar fazer nas próximas semanas a iodoterapia, um tratamento a base de iodoradioativo, I131, que serve para destruir células cancerígenas que ainda podem se encontrar no meu organismo. Esse tratamento é feito em hospital, com um médico nuclear. Já consegui marcar uma consulta e pelo que o médico me explicou vou precisar fazer um dieta sem iodo em um período anterior a dosagem. Depois conto tudo sobre o tratamento para vocês :).

Agora tenho que tomar para o resto da vida o Synthroid, remédio para repor o hormônio da tireoide e durante algum tempo o Prosso devido a queda de cálcio. Estou bem e não sinto nenhum sintoma por hora. Tudo correu muuito mais tranquilamente do que eu podia imaginar, não é nenhum bicho de sete cabeças, graças a Deus! E embora esse tipo de câncer possa voltar (tenho que fazer exames a cada 3 meses por enquanto) o meu tipo não se espalha pelo corpo.

É isso queridos! Minha irmã sugeriu fazer este post e fiquei meio assim de contar, de me abrir para todos. Mas fiquei pensando que muitas pessoas podem ter passado ou estar passando por isso e ficar com as mesmas dúvidas, os mesmo temores que eu. Temos que pensar que no final, com pensamentos positivos e enfrentando isso de frente, vai dar tudo certo. E que nós não estamos sozinhos nessa :).

Dou Graças a Deus por tudo e a minha família e amigos que me apoiaram incondicionalmente mesmo quando eu me afastava. Por tantas orações e boas vibrações até de quem não me conhecia. Realmente temos tudo quando temos esse amor, não é?! Meu marido, meus pais, sogros, irmãos e amigas tem uma parte ainda maior no meu coração e toda minha gratidão, obrigada por tudo <3.

Vou contando e dando notícias para vocês, e logo mais estou de volta, ok?! Alguém mais teve esse problema e quer compartilhar comigo, com a gente?

Deixo vocês com o meu “look do dia” no hospital para dar uma descontraída :).

câncer de tireoideMuitos beijos e saudades,

Mica